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  • Mariana Schuchovski

Além dos limites climáticos




Os principais recordes climáticos globais foram quebrados em 2023. E 2024 pode ser ainda mais quente!


O alerta da World Meteorological Organization (WMO) a agência meteorológica da ONU United Nations, no relatório lançado no dia 19 de março sobre a condição global do clima, parece meio catastrófica. E não poderia ser diferente…


Segundo o relatório, as temperaturas médias globais atingiram o nível mais alto em 174 anos.

Em 2023, a temperatura média global registrada foi de 1,45 °C acima da linha de base pré-industrial (considerada a principal referência para avaliação das alterações climáticas).


Ou seja, estamos quase alcançando o limiar que determina o Acordo de Paris, assinado em 12 de dezembro de 2015 e aprovado em 4 de novembro de 2016, com o objetivo de fortalecer a resposta global à ameaça das mudanças climáticas.


O Acordo de Paris foi aprovado pelos 195 países participantes que se comprometeram em reduzir emissões de gases de efeito estufa e envidar esforços para manter o aumento temperatura média da Terra abaixo de 2 °C, em relação aos níveis pré-industriais.


Mas, depois das considerações científicas apresentadas em 8 de outubro 2018 no Relatório Especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas -IPCC sobre o aquecimento global de 1,5 °C.


O relatório enfatizou que o cenário de 1,5 °C seria mais seguro que 2 °C em termos de impactos climáticos, e que permitir que as temperaturas globais se elevem 2 °C acima dos níveis pré-industriais teria consequências ainda mais devastadoras para o planeta, tais como a perda de habitats naturais e de espécies, a diminuição de calotas polares e o aumento do nível do mar - impactando a saúde planetária, os meios de subsistência, a segurança humana e o crescimento econômico.


As alterações climáticas envolvem muito mais do que temperaturas.=


Os recordes também foram mais uma vez quebrados em relação aos níveis de gases de efeito estufa, temperaturas da superfície, calor e acidificação dos oceanos, aumento do nível do mar, cobertura de gelo marinho na Antártica e recuo das geleiras.


“Sirenes estão soando em todos os principais indicadores..."

-- António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas

 

Segundo a secretária-geral da WMO e meteorologista argentina, Celeste Saulo, o aquecimento dos oceanos é especialmente preocupante por ser um processo “quase irreversível”, que pode levar milênios para retornar ao estado de equilíbrio.


O relatório aponta para o aumento da frequência de ondas de calor, inundações, secas, incêndios florestais e intensificação dos ciclones tropicais.


As consequências das mudanças do clima possuem impactos ambientais, sociais, econômicos, intrinsecamente ligados à crise das desigualdades, aumentando a insegurança alimentar e os deslocamentos populacionais e movimentos migratórios, que também são agravados pelas catástrofes relacionadas aos eventos extremos.


Estes eventos climáticos extremos são responsáveis por causar miséria, desordem, deslocamentos, perturbações da vida quotidiana e prejuízos econômicos de bilhões de dólares.


O custo da inação climática é muito maior do que o custo da ação climática.


"A vida das gerações futuras está em nossas mãos. Os nossos esforços atuais garantirão um mundo mais seguro e saudável para as gerações futuras – um mundo onde as crianças prosperem em harmonia com a natureza."

-- Celeste Saulo, Secretária-Geral da Organização Meteorológica Mundial

 


No Brasil, 8 estados registraram os menores níveis de precipitação entre os meses de julho a setembro de 2023 dos últimos 40 anos.

 

Sim, é preocupante. Muito.


Não podemos não fazer nada.


Não há dúvidas de que as mudanças do clima são "o desafio essencial da humanidade” e toda ação é importante.


"Quanto ao futuro, não se trata de prevê-lo, mas de torná-lo possível."

--Antoine de Saint Exupéry, Citadelle, 1948

 


 

Mariana Schuchovski é Doutora em Ciências Florestais, Professora, Consultora e Palestrante em Sustentabilidade e ESG.

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